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Chega-se a Portugal e chega-se a casa

Mais uma viagem. Como costumo dizer: mais uma volta no carrossel. Porque é assim que se pensa, quando se mora noutro país e se vem visitar o que é nosso. É mais uma viagem. São mais umas horas de comboio, ou de carro, até ao aeroporto. Depois, mais uma de espera. Mais duas horas e picos dentro do avião. Já nem se fica à espera de sentir o avião levantar com medo de que algo aconteça. Já nem se agradece, em pensamento, por tudo ter corrido bem. Porque é já uma rotina tão grande, que «claro que corre tudo bem», com uma certeza absoluta que, no fundo, não tem certezas de nada. Há alturas em que já nem se olha pela janela com a consciência de que se está em cima do mar, em cima de um país inteiro, em cima de um mundo. Olha-se e vê-se umas coisas brancas, que são nuvens, e não se pensa mais nisso. É quase como entrar numa sala e sair umas horas depois.

Viajar com muita frequência tira, de facto, toda a aventura da viagem. Perde-se o romantismo. O medo também dá algum romantismo — a ansiedade, o estômago congelado. São mais umas horas em que se tem de inventar qualquer coisa para fazer para ocupar o tempo, enquanto se espera no aeroporto, enquanto se espera no avião. E o meu tempo ocupo-o quase sempre da mesma maneira: a ver uma série qualquer que descarreguei com antecedência, ou a aproveitar para editar umas fotografias ou fazer uns cartazes. Escrever, por exemplo, é sempre algo que evito. Sou das que gosta de ver os textos publicados no blogue, no livro, e não se assusta nada por sabê-los lidos por milhares de pessoas. Mas, enquanto os escrevo, não gosto de ter ninguém por cima do meu ombro. Nem sequer gosto de falar sobre eles.

Mas, depois, depois da viagem até ao aeroporto, depois da espera, e das malas, e do peso da mochila, das costas a doer, e do tira cintos e mete cintos, dos atrasos, da viagem, da vontade de poder finalmente esticar as pernas, vem isto: chegar a Portugal.

E esta sensação de chegar a Portugal faz com que tudo o resto, que já não é uma novidade, que já não é uma aventura, faça sentido. Mesmo sabendo que, três ou quatro dias depois, vai tudo acontecer de forma igual: mais uma volta no carrossel, rotineira, previsível, para cá, para lá. E para cá e para lá. Chega-se a Portugal e sente-se o tempo ameno, que sabe tão melhor do que o frio donde se saiu. Chega-se a Portugal e as pessoas falam a nossa língua, que é algo que damos como um dado adquirido, quando cá moramos, mas de que sentimos tanta falta quando não. Chega-se a Portugal e chega-se a casa. Independentemente do tempo que se fica lá fora.

E é em casa que estou, desde ontem.

Fotografias | Laura Almeida Azevedo

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Eu sou a Laura. Sou freelancer em desenho gráfico, ilustração, web design e gestão de redes sociais. Sou também autora de um livro que fala de amor, blogger e uma fervorosa contadora de histórias. Vivo em Londres desde 2013 e sou absolutamente apaixonada pelo meu trabalho. É nas pessoas, nos lugares e nos pequenos prazeres da vida que encontro a maior fonte de inspiração.

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4 Comments

  • 23/02/2018
    reply

    Boa estadia, sugiro bons encontros, aproveita para reunires amigos e conhecer outros, mesmo sabendo para o que vens😊
    Deste lado de Portugal, sentem-se muitas saudades e recordam-se muitos momentos…fala-se de vós com alegria e carinho. Tudo de bom para vós…de nós 😊. Abraços.

    PS. Estivemos a ver videos teus, o do “Alvim” e um outro teu…onde apareces a dançar. É sempre agradável ver-te!

  • 26/02/2018
    reply

    Ana Almeida

    Bem vinda a casa, independentemente do tempo que por cá vá ficar!
    Obrigado pela sempre agradável partilha, dos seus textos que acabam por ser um pouco de si que é partilhado.

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