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Deixamos sempre um bocadinho de nós nos lugares por onde passamos

Deve estar a fazer (ou já deve ter feito) quinze anos desde que fui, de malas e bagagens, viver para Lisboa. Esta cidade, onde sempre tive família, fez desde cedo parte da minha vida. No Natal, e nas férias grandes do verão, era hábito cá vir. E eu lembro-me tão bem, quase como se fosse hoje, de entrarmos em Lisboa, pela Ponte 25 de abril, e de eu, de rosto encostado ao vidro do carro, admirar Lisboa iluminada. As viagens eram quase todas feitas à noite, de Faro até aqui, por isso era sempre noite quando chegávamos. E de noite a cidade parece sempre mais bonita.

Foi desde muito cedo que fiquei com vontade de me mudar para Lisboa. Melhor do que Lisboa, só mesmo Nova Iorque. Mas Nova Iorque estava demasiado longe — era, aos olhos dos meus 15 anos, um sonho impossível. Por isso, dentro dos possíveis, tinha de ser Lisboa. Tinha e teve. Foi aos 22 anos que fui viver para São Pedro do Estoril. Mas foi mais tarde, quando fui viver no centro da cidade, que a pude descobrir melhor.

Todos os fins de semana, de manhã, saía cedo de casa com uma mochila, onde levava música, um caderno para escrever e uma máquina fotográfica. Sozinha, ia percorrer a cidade. Passeava pelas ruas da baixa, tirava fotografias, apanhava o comboio até cascais, percorria toda a marginal a pé e sentava-me a ver o mar. Quando chegava a casa, era já noite. E chegava a casa de corpo moído, cansada. Mas chegava feliz. Porque, a cada dia que passava, conhecia melhor esta cidade. E, a cada dia que conhecia melhor esta cidade, conhecia-me também melhor a mim.

Foi assim durante quase 10 anos. E é por isso que Lisboa me é uma cidade tão importante. Passei, aqui, por tantas fases. Mas, independentemente dos altos e baixos, encontrei sempre em Lisboa pequenos detalhes e hábitos que fizeram tudo valer a pena. Lisboa esteve sempre ali, a relembrar-me que a felicidade também parte da nossa capacidade para apreciar as coisas mais simples, que existem em nosso redor, e da nossa coragem para enfrentar, sozinhos, as adversidades e transformá-las em desafios que nos constróem e tornam mais fortes.

É nisto que penso, tantas vezes, sempre que tenho a oportunidade de voltar e de vaguear por estas ruas. Deixamos, todos, sempre um bocadinho de nós nos lugares por onde passamos, e um bocadinho destes lugares vai também connosco aonde quer que vamos. E esta é uma lição feita de tantas e tantas perdas, mas de tantas e tantas alegrias também.

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Eu sou a Laura. Sou freelancer em desenho gráfico, ilustração, web design e gestão de redes sociais. Sou também autora de um livro que fala de amor, blogger e uma fervorosa contadora de histórias. Vivo em Londres desde 2013 e sou absolutamente apaixonada pelo meu trabalho. É nas pessoas, nos lugares e nos pequenos prazeres da vida que encontro a maior fonte de inspiração.

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2 Comments

  • 08/03/2018
    reply

    O fotógrafo está de parabéns, os tons cor de rosa estão de acordo com o do blogue, dão um ar pitoresco e mais nítido às imagens da cidade, sobre a qual, ao contrário de ti, não reservo grande estima, por razões pessoais de outra ordem ou cariz, e pelos motivos completamente opostos.
    Quanto ao texto, o que dizer? Para além de ser literariamente perfeito, pois tu sabes escrever ☺ é já um facto consumado, és muito profissional na forma como o expões, apetece-nos* ler mais, não cansa e embala-nos, este em particular, com um upgrade” considerável no conteúdo, porque a vida é mesmo feita de perdas e de alegrias ( ou ganhos ), outro facto mais que constatado, o qual, tu conseguiste aqui exemplificar com uma admirável simplicidade, mas que na prática, ou por falta de oportunidade ou por distracção, é-nos tão difícil cristalizar, pois a procura da nossa felicidade é tarefa para toda uma vida inteira, porque as tais adversidades normalmente são tão contínuas quão difíceis de serem transpostas, mas o quadro que nos descreves, ajuda a contentarmos-nos com a também não menos contínua esperança e a crença de que é nas coisas simples que residem as respostas para todos os enigmas que a Vida nos apresenta, ou impõem!
    É sempre muito proveitoso ler, mas será sempre ainda mais, quando existe alguém que se dedica aos outros, explicando-se! Obrigado Laura ☺

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