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Neve em Londres

Foi no início de março que caiu neve em Londres. Não foi a primeira vez, desde que vivo aqui, mas foi aquela vez em que a neve permaneceu, em que tudo ficou branco. Já tinha havido ameaças de neve, e granizo, porque esta é, sem dúvida, uma cidade fria. Há cidades mais frias — há sempre —, mas os habituais 6 graus do inverno ainda custam, mesmo já sendo este o meu quinto inverno londrino.

Neve como nos filmes

Desta vez, foi mesmo neve. E foi logo no dia antes de ter regressado de Portugal, onde o inverno faz sol. Tinha visto imagens na televisão, ainda em Lisboa, e fiquei com as expetativas altas. Imaginei que, quando aqui chegasse, tudo estaria coberto, os carros não conseguiriam andar e muitas crianças brincariam na rua, a atirar bolas de neve umas às outras. Como se vê nos filmes. Mas não. Até porque já não havia sequer neve: tinha havido sol no dia em que voltei a Londres. E havia frio. Estavam -6 graus, mas a meteorologia dizia que era como se fossem -12º. E era verdade.

Mas, no dia seguinte, aconteceu. Voltou a nevar. E eu fiquei com aquela expressão típica de quem está maravilhada. Um floco branco após o outro. Um de cada vez. Depois, vários. E tudo ficou coberto de branco. Nevou durante algum tempo. O tempo suficiente para Londres ficar assim, como vos mostro.

Bate forte, mas passa rápido

A parte curiosa desta cidade (e creio que seja assim na maioria dos países frios) é que, embora faça um frio gelado — daquele que nos parece congelar as orelhas, daquele que se sente nos ossos, daquele que faz conter a respiração e correr até à próxima porta para não dar tempo ao cérebro para racionalizar o frio, daquele que faz praguejar e falar sozinhos («mas quando é que isto acaba?») —, o frio aguenta-se relativamente bem aqui. Apesar de tudo.

Todos os edifícios públicos, prédios, estações, metros e comboios, estão quentes. E o frio acaba por só ser sentido se estivermos muito tempo na rua — por exemplo, se nos sentarmos num banco de jardim ou se tivermos de esperar muito tempo numa estação de comboio, das que existem no exterior. E, sobretudo, porque a maioria das casas tem um bom isolamento, e aquecimento.

Realidades diferentes

Ao contrário do que acontece em Portugal, manter uma casa quente em Londres não é um luxo. Dou-vos um exemplo prático. Enquanto em Portugal um aquecimento, que esteja ligado bastante tempo, pode ir até aos 300 euros por mês com muita facilidade, aqui custa cerca de 70 euros por mês, estando ligado 24h/7dias. Em casas mais quentes, como aquela onde vivo, nem é preciso ligá-lo, porque a sensação que se tem, quando se vem da rua e se entra em casa, é que se entrou numa sauna.

E isto, estes valores tão diferentes, são totalmente desproporcionais ao custo de vida de ambos os países. Sendo Londres uma cidade com um custo de vida tão elevado, esperaríamos que o preço do aquecimento fosse também bastante maior do que em Portugal, não é? Mas não. E é por isso que, em Portugal, manter uma casa quente ainda é um luxo. Infelizmente.

Sim, faz muito frio aqui. E é provável que quem cá venha de visita, em alturas destas, possa adoecer por causa das diferenças de temperatura entre os espaços fechados e os espaços abertos. Mas a verdade é que, ao fim de cinco invernos aqui e por estes motivos que vos expliquei, me custa muito mais o inverno em Portugal.

Que o frio não vos intimide

Se estiverem a pensar vir a Londres, não permitam que o frio vos intimide. Venham preparados. Tragam roupa bastante quente: gorros, blusas de malha quentes e luvas. Duas camadas de roupa, se acharem menos arriscado. E, já agora, muitos cêgripes. Mas saibam que todo o frio só é sentido na rua depois de algum tempo a andar ou parados. De noite, em casa ou no hotel, vai ser tão quentinho que até vão pensar que estão nas Maldivas.

E Londres fica ainda mais bonita vestida de neve.

São poucas fotografias, mas é boa a intenção.

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Eu sou a Laura. Sou freelancer em desenho gráfico, ilustração, web design e gestão de redes sociais. Sou também autora de um livro que fala de amor, blogger e uma fervorosa contadora de histórias. Vivo em Londres desde 2013 e sou absolutamente apaixonada pelo meu trabalho. É nas pessoas, nos lugares e nos pequenos prazeres da vida que encontro a maior fonte de inspiração.

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