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Ser feliz é uma atitude

Tempo de leitura: 4 minutos

Lembro-me de, em criança e já adolescente, me perguntarem o que queria ser quando fosse grande. Lembro-me de, a partir de certa altura, ter começado a responder: «Quero ser feliz.» Nisto não sou diferente de ninguém. Todos nós queremos ser felizes. É esse querer que motiva as nossas escolhas, os riscos que tomamos, o comodismo que aceitamos em nós para não perdermos algo que nos faz bem. Mas caímos, tantas vezes, neste erro: acreditar que a felicidade tem de ser constante, porque, se não o for, não é felicidade. E, sem darmos por isso, procuramos e esperamos ser felizes nas pequenas coisas, nas grandes e em todas aquelas que estão ao nosso alcance. Queremos a felicidade plena, constante, total, sem nos lembrarmos que também nós não somos constantes, plenos e que também nós estamos em constante mudança. O que nos fazia felizes há cinco anos não é a mesma coisa que nos faz felizes hoje.

Caímos no erro de esperar da vida algo que ela nunca nos poderá dar. Porque não existe uma felicidade plena, constante, total. O que existe, sim, é a soma de momentos – uns felizes e outros menos. E também não existem regras. É que a felicidade ainda não é tão simples quanto isto de contabilizar momentos. Porque os contabilizamos todos de forma diferente. Porque viver muitos momentos felizes não é garantia para nos sentirmos felizes. Porque mais importante do que viver muitos momentos felizes é vivê-los nas coisas que são importantes para nós. Para uns, poderá ser trabalhar no que se gosta. Para outros, poderá ser o amor, ter uma família. A felicidade é a soma dos momentos felizes nesse aspeto da vida que mais valorizamos, nesse campo que mais nos preenche. É ele que tem a capacidade de nos faz sentir uma felicidade que parece maior do que todas as outras.

Mas a felicidade continua a não ser tão simples quanto isto. Ainda. Porque, mesmo que os momentos mais alegres aconteçam naquilo que mais desejamos, nem isso significa que sejamos mais felizes. Porque, afinal, também não bastam apenas os números, nem os momentos. Porque, afinal, é preciso mais do que isso para se ser feliz. É preciso estarmos dispostos a ser felizes. Sim, é preciso. É preciso querer e saber aceitar a felicidade. É preciso fazer por ser feliz: arranjar força, onde for preciso, para ultrapassar os obstáculos; ter sensatez para relativizar os problemas; ter ganas de vontade para aproveitar o melhor da vida e focar no que ela tem de mais positivo.

Ser feliz é, apesar dos altos e baixos, apesar das coisas boas e menos, continuar a ter capacidade para sorrir. É ter capacidade para cantarolar baixinho e rir de nós próprios. É levantar da cama e enfrentar o dia com vontade, apreciar a luz e o mundo em que vivemos, e o privilégio que é poder viver. É conseguir encontrar uma coisa boa mesmo ali, no meio do maranhal de coisas más. É aceitar estas coisas más com um pouco mais de leveza por se saber que tudo passa — porque, após o inverno, vem sempre a primavera. É recusar olhar os outros com desconfiança e má vontade, por mais dor que a vida nos tenha causado. É continuar a dar o benefício da dúvida, em vez de projectar naqueles que não têm culpa as nossas desilusões e insucessos. É acreditar nos outros até prova em contrário. É acreditar em nós. É recusarmo-nos a ser aquela pessoa que se está sempre a queixar, quer tenha razão, quer não.

Ser feliz é, de alguma forma, conseguir manter o coração puro e não nos transformarmos em pessoas amargas, intolerantes e insuportáveis. É perceber que felicidade traz mais felicidade e que tristeza traz mais tristeza. Que desacreditar tudo e todos e focar nas coisas más é meio caminho andado para se perder a capacidade para apreciar o bom, quando ele acontece. Que, da mesma forma, focarmo-nos nas coisas boas é meio caminho andado para não valorizarmos tanto as más, ensinando o nosso cérebro e coração a cultivarem um pensamento positivo — atraindo, assim, coisas e pessoas positivas para a nossa vida.

Ser feliz não é não ter problemas e tudo fluir de forma perfeita. Nada é perfeito. Ninguém é perfeito. E, porque a vida é feita por pessoas, não existem vidas sem contratempos, sem falhas, sem erros. Não existem relações sem baixos, porque sem os baixos não poderiam existir os altos. E é ter consciência de que, em algum momento da nossa vida, as pessoas em quem mais confiamos, a quem mais nos damos, também nos vão desiludir, defraudar as nossas expetativas, fazer ou dizer algo que nos vai magoar. Intencionalmente ou não.

Ser feliz é ter a capacidade para olhar para tudo isto e aceitá-lo como parte da vida. É  não nos querermos rebelar contra tudo e todos só porque algo correu mal. É fazer o que estiver ao nosso alcance para tornar a nossa vida melhor, sem desistirmos de acreditar que há sempre melhor e que somos nós que decidimos grande parte da nossa vida. Que fazemos essa decisão todos os dias: com as nossas escolhas, mas também com as nossas não-escolhas; com as nossas decisões, mas também com as nossas indecisões; com a nossa coragem, mas também com o nosso medo, que nos faz recuar em tantas decisões e situações. E com a forma como lidamos com o que sentimos: se deixamos, ou não, que o que sentimos nos prenda os pés ao chão e impeça de dar mais um passo na direcção do que nos faz falta, ou se funciona como trampolim para querermos voar mais alto e fazer mais por nós.

Ser feliz não é só um estado, uma emoção de momento. Ser feliz é uma atitude. É uma atitude que tomamos em relação aos outros, em relação à vida, mas, sobretudo, em relação a nós. Ser feliz é feito de momentos, mas, acima de tudo, é feito de escolhas. E, tantas vezes, mesmo que nos arrependamos das escolhas, continuamos a sentirmo-nos felizes. Porque pudemos escolher. Porque escolhemos sentir, arriscar, lutar. Porque escolhemos viver. Por nós. E, mesmo que tenhamos errado no caminho que escolhemos desta vez, sabemos que existem milhares de outros caminhos que nos podem fazer felizes. E a cada erro que cometemos estamos um pouquinho mais próximos de saber qual o caminho certo para nós.

Não é impossível sermos felizes. E até pode ser simples. Porque ser feliz, sim, depende mais de nós do que dos outros.

Eu sou a Laura. Sou designer gráfico, ilustradora e UI/UX designer. Sou também autora de um livro que fala de amor, blogger e uma fervorosa contadora de histórias. Vivo em Londres desde 2013 e sou absolutamente apaixonada pelo meu trabalho. É nas pessoas, nos lugares e nos pequenos prazeres da vida que encontro a maior fonte de inspiração.

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